sexta-feira, 13 de setembro de 2019

O movimento que Marco Silva utilizou para desmontar a linha de 5 do Wolves

De Renato Sousa


No primeiro embate entre treinadores portugueses na Premier League da época, foi Marco Silva quem levou a melhor, E a dinâmica criada sistematicamente nos corredores laterais  que acabou por decidir o jogo.

Em organização ofensiva os extremos deram sempre a largura máxima, e o lateral do corredor da bola a procurar uma desmarcação de rotura por dentro criando assim a indecisão no adversário, abrindo espaço para sair ação individual (cruzamento ou 1x1) ou combinação.


Everton x Wolves Dinâmica corredor lateral completo from Renato Souza on Vimeo.


sexta-feira, 15 de junho de 2018

Notas breves do Uruguai em Organização Ofensiva (Egito x Uruguai - 1ª Jornada, Grupo A)


1º jogo do dia de hoje a opor o Egito (sem M. Salah) ao Uruguai. Um Uruguai que partiu de um 1:4:4:2, sem grandes dinâmicas ofensivas.

Em Organização Ofensiva
Equipa de circulação lenta, não arriscando perdas e colocando pouca gente no processo ofensivo

1ª Fase de Construção:
- DC's lado a lado, com os laterais pouco profundos e com Bentancur e Vecino (MC's) sempre muito baixos, a tentar garantir a segurança para ligar à 2ª fase.
- Mesmo quando chegava ao seu 1º terço, continuava a colocar os 2 MC's muito baixos, sendo estes a procurarem a ligação com a 2ª fase. Os Defesas Centrais sem assumirem um papel influente nesta fase.

2ª fase de Criação:
- Viveu sempre daquilo que Bentancur ia conseguindo "descobrir" entre-linhas com Cavani. Os Médios Laterais a estarem por fora, com os Defesas Laterais pouco profundos, as soluções no corredor central eram escassas e passavam quase exclusivamente pelo momento em que Cavani recebia e procurava enquadrar.
- Nunca conseguiu nos corredores laterais, criar dinâmicas entre Defesa Lateral e Médio Lateral para conseguir desequilíbrios.
- Colocou quase sempre apenas os 2 PL's, mais os dois Médios Laterais nesta fase, sem os dois MC's participarem ativamente nos desequilíbrios (Muito preocupados com o momento da perda da posse da bola e em equilibrarem).

3ª Fase de Finalização:
- Equipa sem grande variabilidade e ideias na sua finalização. Criou perigo apenas daquilo que Cavani conseguiu Criar ou Finalizar;
- No cruzamento colocava apenas Suárez e Cavani na área, com os Médios Laterais e MC's muito longe;
- Apenas uma situação de finalização dentro da área que surgiu através de uma combinação direta entre Cavani e Suárez que aparece em 1xGR;

Jogador em destaque: Edinson Cavani. Foi ele quem procurou receber entre-linhas para enquadrar, sempre a decidir bem, aliando isso à qualidade técnica reconhecida. Partem ou terminam nele os momentos mais perigosos do Uruguai.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Como o Nápoles condicionou a Juventus

Hoje damos as boas vindas a um novo escritor neste blogue. O Renato Sousa vem trazer a possibilidade de conseguir uma maior quantidade de conteúdos, aliada à qualidade no pensamento do jogo.


A vitória da ideia do Nápoles à Juventus no fim de semana que passou, tem muito dos seus méritos naquilo que conseguiu fazer, mas também naquilo que não permitiu a Juve fazer como habitualmente fez.
A 1ª Fase Defensiva do Nápoles, impedindo sempre que a construção da Juventus conseguisse ligar curto com a sua 2ª Fase (de criação). Em Organização Defensiva, a estratégia napolitana roçou a perfeição.
A estatística do jogo reflete isso mesmo. Impressionantes os números
Retirado da aplicação MeusResultados
O Nápoles no Pontapé de Baliza permitia aparentemente a saída curta, apenas colocando os 3 da linha avançada perto. Quando bola saia de Buffon, os 3 da linha média aproximavam, reduzindo o espaço entre-linhas, Criavam 2 linhas de 2 cortando todas as linhas de passe interiores. Mertens tinha missão de impedir que a bola chegasse a Pjanic (principal organizador da Juve nesta fase):

 Permitiam a circulação entre Defesas Centrais, mas impedindo a ligação com Pjanic:
  
Dois estímulos de pressão muito bem identidades. Um deles quando a bola chegava ao Defesa Lateral :

E quando havia o passe para trás, subindo todas as suas linhas:

 Esta estratégia, aliada a todo o jogo posicional que caracteriza a Nápoles como umas das melhores Organizações Ofensivas (se não a melhor) da atualidade.

Renato Sousa

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Anatomia de um golo - Kevin de Bruyne

Uma das maiores características dos grandes jogadores, é fazer tudo parecer fácil. 

"Jogar futebol é muito simples, mas jogar futebol simples é a coisa mais difícil que há" segundo Cruyff.

Mas a decisão, o temporizar e decidir quando é o momento de acelerar ou de soltar, a capacidade de provocar no adversário o comportamento que se deseja, para libertar o colega ou ao próprio portador não tem nada de simples. Mas dificilmente se ensina, "sente-se".

Vejamos o exemplo do 3º golo do Manchester City na noite de ontem contra o West Brom.


Tão simples que nem parece belo. O timing para aguentar, esperar para perceber qual dos defesas iria tomar a iniciativa deixando o seu espaço vazio para libertar o colega. E a partir disso aguentar mais um pouco, fixar o defesa e libertar o colega.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Experiências de 2017/2018

Em primeiro pedir desculpa pela inatividade tão prolongada do blogue.

Na presente época deparei-me como treinador com um desafio entusiasmaste. A liderança de uma equipa de Juniores, onde a complexidade de todos os preponderantes aumenta.
Cientes daquelas que são as nossas dificuldades, sempre nos propusemos a procurar jogarmos o jogo que adoramos, que mais que tudo nos é prazerosa e que acreditamos que nos pode trazer melhores resultados.
Aquilo que vos trago é um excerto de uma ação ofensiva deste fim de semana, onde encontramos o 2º lugar da tabela classificava. O objetivo será sempre nos valorizarmos com a bola nos pés, procurando respeitar ao máximo aquilo que é o jogador e aquilo que é a sua essência.
De referir também que de momento nos encontramos sensivelmente a meio da tabela classificava.


quarta-feira, 8 de março de 2017

Golo do Vitória de Guimarães em Alvalade e as referências individuais

A dinâmica e exigência que Jorge Jesus consegue habitualmente colocar no processo defensivo das suas equipas é notável. Sporting aparentemente defende zonalmente.
No entanto a forma como controla a largura apresenta uma referência individual: o ataque da profundidade (ou não) do Defesa Lateral adversário. Se existir a subida do Lateral adversário, o Médio Lateral da sua equipa junta-se à sua linha defensiva, controlando a largura por fora, fazendo uma linha de 5:


Quem faz a progressão no espaço que existe vazio é Josué, Defesa Central. Joel Campbell, a Médio Direito preocupado com o ataque à profundidade de Bruno Gaspar (Defesa Direito), junta-se a Esgaio (Defesa Esquerdo) fechando uma linha de 5 defesas.


Golo Guimarães_EM ANALYSE from Pedro on Vimeo.


Abaixo, o posicionamento que acontece (com todos os possíveis erros de escala):

A "sugestão": Se Joel fecha dentro, juntando-se a Palhinha (Médio Centro pelo lado esquerdo), cortando a linha de passe que existe dentro, Josué que progredia ficaria apenas com a linha de passe do seu Defesa Direito, não sendo esta tão problemática, por o passe ter de sair por "fora" do bloco e por dar tempo para a basculação horizontal tanto da linha média, como da linha defensiva do Sporting.


Abaixo, a imagem se Joel Campbell fecha dentro, abrindo espaço por fora, mas impedindo o ataque ao corredor central:


terça-feira, 16 de agosto de 2016

Portugal no Euro. Mudança de paradigma também no futebol de formação?


Iniciamos a nova época desportiva com um acrescento no alento de cada treinador português.
Portugal Campeão Europeu!
Sem dúvida que será benéfico para todos os intervenientes do jogo, quer jogadores, treinadores, agentes, etc. A credibilidade criada por um título é insubstituível.

Como qualquer português fiquei extremamente feliz com este feito, apesar de não me sentir identificado com as ideias e ideais da nossa seleção.
Sabe-se que habitualmente as grandes competições pela exposição mediática que é criada, são vistas e analisadas por todos, criando-se (perigosamente) novos paradigmas no que diz respeito ao "jogar". Este foi claramente o Europeu do equilíbrio, onde equipas com menor qualidade individual/coletiva conseguiram equivaler-se às restantes.
Procurando uma (perigosa) generalização, conseguem-se identificar alguns padrões nas equipas mais "marcantes" deste Euro:
- A marcação individual foi o método de jogo defensivo;
- Equipas com um bloco baixo, com linhas de espera no seu meio-campo;
- O contra-ataque e  ataque rápido foram o método de jogo ofensivo, deixando que o adversário assumisse o jogo;

Se exceptuarmos a Alemanha, Espanha, Croácia e a Bélgica (que teve intenções, mas pouco organizada) foi raro sentirmos que alguma equipa tinha a intenção clara de assumir o jogo, ou que procurava dominar os comportamentos dos adversários através da sua posse e rápida reação.

Transferindo isto para a minha realidade (ainda curta) de Treinador de Futebol de Formação, e estando neste momento a ultimar os preparativos para a nova época, tenho tido em conta um receio de encontrar com maior regularidade equipas com os padrões de jogo referidos anteriormente por parte das equipas de futebol de formação pelo nosso país.
Ora como o nosso selecionador disse que "As finais não se jogam, ganham-se". Não concordando em absoluto com a expressão, entendendo que terá de haver sempre um processo que justifique a vitória, no entanto percebo e respeito-a, no que diz respeito ao escalão senior. No entanto, não a "aceito" se esta for aplicada no futebol de formação, onde é necessário dar aos jovens futebolistas muito tempo de interação com a bola (mesmo dentro do próprio jogo) com ações "pensadas", procurando assumir jogo ou ser parte integrante deste.
Se dermos aos nossos pequenos futebolistas um modelo de jogo onde deixamos o adversário assumir, onde nos fechamos no nosso meio-campo, onde a maioria das suas ações técnicas serão defensivas, e as ofensivas existindo serão de muito curta duração, estaremos a oferecer um contexto onde não estamos a potenciar aquilo que de mais valioso tem um jogador, a sua criatividade, a sua confiança com bola, a sua capacidade técnica (pela quantidade de toque necessária para a exponenciar), a sua capacidade de decidir, etc.
Sabendo que não existem fórmulas no futebol, anseio pela nova época desportiva e por me enganar redondamente nisto que escrevi.